NOSSA MENSAGEM
O DOMINGO SENSACIONAL SURGE COMO UMA FORMA DE TE LIVRAR DA VIOLENCIA DO DOMINGO ESPETACULAR, DO FORMALISMO DO FANTÁSTICO E DOS POUCO CULTURAIS PROGRAMAS DE AUDITÓRIO. ESSA ATRAÇÃO ESTÁ SENDO EXIBIDA DE FORMA SIMULTANEA NO RESUMO DA NOTÍCIA E HOJE EM DIA NEW STATION. CONFIRA NOSSO PROGRAMA! NESTA EDIÇÃO, NÃO PERCA REPORTAGEM ENTREVISTANDO A DELEGADA RENATA PONTES (RESPONSÁVEL PELO CASO ISABELLA), ELA VAI ABRIR O JOGO SOBRE O CRIME QUE HÁ 1 ANO CHOCAVA O PAÍS.
SAPATOFONE DO AGENTE 86:
VIROU REALIDADE!
Em entrevista ao site inglês Telegraph, ele explicou que "quando o telefone toca, você tira o sapato, abre o solado, aperta um botão e fala com a mesma agilidade com faria se fosse pegá-lo de dentro da bolsa". Ele afirmou, ainda, que testou o aparelho na rua e ninguém prestou atenção.
Não seria maravilhoso colocar o rosto na sola do sapato para combinar a happy hour com os amigos? Outra pequena desvantagem é beijar alguém com hálito de lixo de rua... A invenção não é bem higiênica, mas isso não deve passar pela cabeça de seu criador, que pretende vender o aparelho pela internet.
CASO CURIOSO
CONFUSÃO
"Isto é uma emergência, meus McNuggets são uma emergência"
"Isto é uma emergência, meus McNuggets são uma emergência"
Não foi só a falta do lanche escolhido que irritou a americana. A caixa do fast-food disse que não havia como devolver o dinheiro e, por isso, ofereceu outras opções. Latreasa, então, gritou: "Eu não quero um McDuplo com fritas pequenas", opção que a funcionária da lanchonete descreveu para os policiais como "uma quantidade maior de comida, pelo mesmo preço". Quando os oficiais finalmente chegaram, depois das ligações insistentes de Latreasa, ela explicou: "Eu liguei para o 911 porque eu não consegui meu dinheiro de volta, e eu queria meu McNuggets".
O MacDonald's divulgou uma nota, assinada pelo gerente de operações da região da Flórida, Carlos Solorzano, pedindo desculpas pelo episódio. "Satisfazer todos e cada cliente que vai a nossos restaurantes é muito importante para nós. Quanto a esse incidente isolado, nós pedimos desculpas pelo inconveniente". A rede de lanchonetes devolveu o dinheiro para Latreasa junto com um Cartão Arch, uma espécie de vale pré-pago para refeições no McDonalds, embora não tenha especificado se o presente foi de 5, 10, 25 ou 50 dólares.
O clássico nugget de frango foi criado na década de 50 por Robert Baker, engenheiro de alimentos da Cornell University, nos Estados Unidos, e foi essa receita que serviu de base para a do McNuggets, desenvolvido em 1979. Mas foi só em 1983 que o prato entrou no cardápio do McDonald's, para se tornar uma das opções mais famosas da cadeia de restaurantes. "Nós nunca quisemos desapontar um fã de McNuggets", afirmou Solorzano na nota.
Outras confusões em fast-foods
Este não é o primeiro caso envolvendo redes de fast-food e o serviço de emergência da polícia dos Estados Unidos. No começo de fevereiro, Jean Fortune, também da Flórida, ligou para o 911 reclamando que o Burger King não servia mais limonada. Durante cinco minutos, o americano de 66 anos queixou-se de que seu hambúrguer estava demorando muito, que o funcionário da lanchonete fora rude com ele e que oferecera coca-cola em vez do suco de limão. A polícia foi até o local e prendeu Fortune por abuso do serviço de emergência. Em outra ocasião, em 2005, uma mulher da Califórnia ligou para o 911 porque os atendentes do Burger King não queriam fazer o Western Bacon Cheeseburger do jeito que ela queria. A gravação desse telefonema tornou-se um sucesso no Youtube no ano passado.
EDU GUEDES:
VEJA UM FILÉ Á PARMEGIANA
- 6 bifes de coxão mole - 2 dentes de alho picados - 2 ovos batidos - ½ xícara (chá) de leite - 2 xícaras (chá) de farinha de trigo - 3 xícaras (chá) de farinha de rosca - 3 colheres (sopa) de azeite de oliva - 1 cebola média ralada - 3 xícaras (chá) de tomate pelado picado - 1 pitada de açúcar - ½ xícara (chá) de salsinha picada - 200g de queijo tipo mussarela - óleo (o suficiente para fritar os bifes) - sal a gosto - pimenta-do-reino a gosto
Tempere os bifes com o alho, sal e pimenta-do-reino. Misture bem em uma tigela os ovos e o leite. Passe cada bife temperado na farinha de trigo e em seguida na mistura dos ovos com leite e na farinha de rosca. Frite-os no óleo quente até que estejam dourados. Reserve. Em uma panela, aqueça o azeite e refogue a cebola. Acrescente o molho de tomate, o açúcar, o sal e deixe apurar por mais 10 minutos no fogo médio. Por fim, acrescente a salsinha e misture. Coloque os bifes em um refratário, despeje o molho por cima e coloque as fatias de queijo. Leve ao forno médio (180 ºC) pré-aquecido por cerca de 10 minutos.
QUE NOJO!

BELEZA ROUBADA
Urubus são feios e sujos, mas cheios de truques para sobreviver ao cardápio nojento
À FLOR DA PELE
A cabeça e o pescoço pelados dos urubus ajudam na sobrevivência. Como eles se alimentam de carne podre, cheia de bactérias e outros microorganismos letais, se tivessem penas, essas regiões poderiam entrar em contato com a comida, transformando-se em pontos de contaminação.
CARONA VOADORA
Espertos, os urubus aproveitam as correntes de ar quente para planar por horas a fio sem fazer esforço. Eles fazem movimentos ascendentes em espiral em largos círculos e voam dezenas de quilômetros atrás de alimento. No solo, quando se sentem ameaçados, regurgitam para perder peso e alçar vôo com mais rapidez.
PASSO A PASSO
Os urubus têm um andar engraçado e desengonçado por causa de seus pés chatos. Eles não possuem habilidade para caminhar, como fazem outras aves, e dão pequenos pulinhos para se deslocar. Ao contrário de aves de rapina como as águias, eles não têm uma garra funcional, por isso não conseguem capturar presas.
OVOS NO PAREDÃO
A reprodução dos urubus acontece no início da primavera. Diferentemente da maioria das aves, eles não constroem ninhos em plantas. As fêmeas fazem a postura entre rochas escondidas, paredões rochosos e árvores ocas. Normalmente, colocam dois ou três ovos, sendo que o período de incubação varia de 49 a 56 dias conforme a espécie.
DUPLA PROTEÇÃO
O estômago dos urubus secreta um suco gástrico que neutraliza as bactérias e toxinas presentes na carne putrefata. Além disso, acredita-se que os anticorpos de seu sistema imunológico fazem com que ele seja imune a doenças que atingiriam os humanos se resolvêssemos adotar o menu indigesto.
LEI DO MAIS FORTE
Cinco espécies de urubus, como o urubu-da-mata, vivem no Brasil. Com o olfato mais apurado, o urubu-de-cabeça-vermelha e o urubu-de-cabeça-amarela encontram primeiro a comida e são seguidos pelos demais. Mas quem come primeiro é o urubu-rei, que é maior e tem o bico mais forte, ideal para rasgar a pele da carcaça. Enquanto ele se esbalda, os demais, como o urubu-de-cabeça-preta, se afastam da carniça. O urubu-rei tem esse nome por causa do bico forte e da exuberante coloração de sua cabeça.
REFRESCO NOJENTO
Como não tem glândulas sudoríparas para dissipar o calor, o urubu usa uma estratégia cabulosa para evitar que a temperatura de seu corpo suba demais: defeca e faz xixi nas próprias pernas! O cheiro ruim também afasta eventuais predadores. Além disso, ficam com o bico aberto para perder calor .
DIAS MACABROS

Foi em 23 de janeiro de 1556, quando um terremoto devastador atingiu a província de Shaanxi, na China, deixando um resultado terrível de quase 830 mil mortos! Não há dados oficiais da matança, mas, segundo especialistas, tudo indica que o número de pessoas que passou desta para a melhor na fatídica data esteja próximo do verdadeiro. Em nossa conta, claro, não entra o bando de gente que, diariamente, bate as botas no mundo por causas outras que não catástrofes, guerras ou genocídios. Em 2009, segundo o US Census Bureau – órgão americano de recenseamento –, a média diária contabiliza 152 mil mortes. Dito isso, veja abaixo a lista das datas mais mórbidas de todos os tempos.
CALENDÁRIO MACABRO
Confira os dez dias que mais mataram no planeta, além dos períodos mais funestos da história
23/1/1556
Número de mortos: 830 mil
Causa das mortes: Terremoto
Local: China
13/11/1970
Número de mortos: 500 mil
Causa das mortes: Ciclone
Local: Bangladesh
25/11/1839
Número de mortos: 300 mil
Causa das mortes: Ciclone
Local: Índia
20/5/526
Número de mortos: 250 mil
Causa das mortes: Terremoto
Local: Turquia
28/7/1976
Número de mortos: 242 mil
Causa das mortes: Terremoto
Local: Tangshan, China
16/12/1920
Número de mortos: 240 mil
Causa das mortes: Terremoto
Local: Haiyuan, China
26/12/2004
Número de mortos: 230 mil
Causa das mortes: Tsunami
Local: Índia
31/1/1942
Número de mortos: 229 mil judeus
Causa das mortes: Genocídio
Local: Europa
5/10/1948
Número de mortos: 110 mil
Causa das mortes: Terremoto
Local: Turcomenistão
28/12/1908
Número de mortos: 100 mil (entre 60 e 200)
Causa das mortes: Terremoto
Local: Messina, Itália
PARA DESCONTRAIR...
CASSETADAS
SANGUE ANIMAL
Os cães têm sete tipos sanguíneos principais, que compõem o chamado Sistema DEA (sigla em inglês para Dog Eritrocyte Antigen, ou "Antígeno Eritrocitário Canino"). São eles: DEA 1, dividido nos subtipos DEA 1.1, 1.2 e 1.3, DEA 3, DEA 4, DEA 5 e DEA 7. O sistema DEA foi catalogado apenas nos anos 70, mas os primeiros estudos sobre tipagem sanguínea tiveram início em 1910 e se intensificaram na segunda metade do século passado. Esses são os tipos mais comuns, mas novos continuam sendo descobertos, como um chamado DAL, encontrado em dálmatas. Cães de uma mesma raça podem ter tipos sanguíneos diferentes, assim como cães de raças diferentes podem ter o mesmo tipo. Segundo a veterinária Luciana de Almeida Lacerda, do Laboratório de Análises Clínicas Veterinárias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a freqüência dos tipos varia conforme a população e a região geográfica em que vivem os bichos. O sangue dos totós é tão complexo que, ao contrário de nós, humanos, um só cão pode apresentar mais de um tipo, ou seja, uma combinação deles. Mas os veterinários ainda não descobriram um tipo sanguíneo receptor universal, compatível com qualquer outro sangue existente. "Já os cães com sangue do tipo exclusivamente DEA 4 são doadores universais", diz a veterinária Vanessa Esteves, também da UFRGS.
REPORTAGEM DA SEMANA
O FIM DO SILENCIA DO CASO ISABELLA
A DELEGADA
Renata Pontes comandou a investigação do caso Isabella, que comoveu o país. Ela diz não ter dúvidas sobre quem matou a menina
Renata Pontes comandou a investigação do caso Isabella, que comoveu o país. Ela diz não ter dúvidas sobre quem matou a menina
Em serviço, a delegada não usa a clássica combinação de calça e tailleur. Prefere roupas mais confortáveis, sempre discretas – na terça-feira passada, vestia bata e calça legging, calçando sandálias de salto Anabela. Deixa à mão um sapato baixo, para suas saídas. Nos atendimentos do plantão, nas delegacias em que trabalhou, entrou em favela, pulou muro, andou em trilho de trem e picada no meio do mato. Enquanto trabalha, ela se concentra, procura manter um olhar técnico sobre o que investiga. No caso Isabella, Renata não resistiu. Chegava em casa angustiada, pensando “na mãe que não pode mais beijar sua filha”.
Na 9ª Delegacia, no Carandiru, zona norte de São Paulo, Renata é delegada-assistente. Em sua sala há uma boa mesa com poltrona de encosto alto, ar-condicionado e frigobar. A um canto, em pedestais, bandeiras do Brasil, de São Paulo e da Polícia Civil. No ano passado, a delegacia foi premiada por uma ONG holandesa. Às vezes, quando um colega do plantão sai em férias, Renata assume o lugar dele. Foi durante um plantão, das 20 horas às 8 da manhã, que o caso da menina Isabella chegou a sua mesa.
Num primeiro momento, a delegada falou com os jornalistas sobre o crime. Depois, decretou o sigilo do inquérito e não deu mais entrevistas. Só rompeu o silêncio na semana passada, ao receber blog no elegante flat em que mora, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. A entrevista durou três horas. Foi à beira do jardim, numa mesa externa do restaurante do flat. Pela primeira vez, Renata contou os detalhes de como conduziu a investigação e apresentou todas as razões que a levaram a acusar o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e a madrasta da menina, Anna Carolina Jatobá, como autores do assassinato que chocou o país.
A VÍTIMA
Isabella Nardoni, assassinada aos 5 anos. O pai e a madrasta continuam presos
Isabella Nardoni, assassinada aos 5 anos. O pai e a madrasta continuam presos
No caso Isabella, a sensação se repetiu. Em sua entrevista a blog, Renata lembrou a longa conversa que teve com o casal Anna e Alexandre, nas primeiras horas da investigação. Apesar de ter notado que Anna era falante e articulada enquanto Alexandre era bem menos eloqüente, Renata notou uma incomum tranqüilidade nos dois, “a ponto de o Alexandre comentar ‘Olha, eu vou sair na Rede Globo’”. Alexandre e Anna, segundo Renata, não se emocionavam nem se preocupavam em saber o que acontecera. O discurso de ambos era o mesmo. Não tinham perguntas, mas respostas. “Eles não questionavam. Vinham com uma certeza, uma afirmação: ‘O que aconteceu foi isto’. Em momento algum perguntaram ‘por que alguém jogou a minha filha?’” Diziam que um ladrão entrara no apartamento deles, com uma cópia da chave. “Falavam ‘o ladrão chegou, o ladrão cortou a tela’, usavam a palavra ‘ladrão’”. O “ladrão” teria esperado até Alexandre chegar, com a menina dormindo, e deixá-la em sua cama. O pai teria então voltado ao carro, na garagem, para pegar os dois outros filhos pequenos e Anna. Nesse meio-tempo, o “ladrão” teria esganado Isabella, apertando-lhe o pescoço, e teria jogado a menina pela janela. E ainda teria trancado a porta ao sair. Por quê?
OS SUSPEITOS
Anna Carolina e Alexandre quando foram presos pela segunda vez. A delegada diz que a suspeita já pesava sobre eles no início da investigação
Anna Carolina e Alexandre quando foram presos pela segunda vez. A delegada diz que a suspeita já pesava sobre eles no início da investigação
Renata gosta de investigar assassinatos. No ano em que trabalhou na Divisão de Homicídios, a seu pedido, chegava a atender seis casos num só plantão. Aprendeu a conhecer a reação dos parentes das vítimas. “Na primeira hora depois do crime, o comportamento é de choque ou questionamento, não de investigação”, afirma. Na primeira conversa, ela viu que Alexandre e Anna queriam convencê-la da existência de uma situação que os excluísse de suspeita. “Eles falavam, e eu ponderava: ‘Por que um ladrão vai jogar uma criança da janela?’”. O diálogo prosseguiu. Aqui, ele é reproduzido de acordo com o relato da delegada:
– Se o ladrão percebe que o morador chegou, a primeira coisa que faz é fugir do local. Por que despertar uma criança que estava dormindo e jogar pela janela? – questiona Renata.
– Ela pode ter acordado – diz o pai.
– Se ela acordou, ele sai correndo. Uma criança de 5 anos não vai conseguir segurar um ladrão.
– Então ela pode ter reconhecido ele.
– Nesse caso, por que criar tanta dificuldade? Se ele tem uma faca, dá uma facada. Sabendo que o pai ia à garagem e voltava, o que demora dois minutos, ele não teria todo esse trabalho de procurar a tesoura, a faca, asfixiar a menina, jogar, guardar a faca e a tesoura, sair e ainda trancar a porta.
O casal admitiu, diz a delegada, que nada fora levado do apartamento. E passou para outra hipótese: vingança.
– Vocês têm inimigos, estão sendo ameaçados, fizeram alguma coisa que justificasse uma vingança?
– Não – diz Anna –, mas ontem o zelador do prédio ficou olhando de uma maneira estranha para a Isabella e para mim.
– Mas isso será um motivo?
– Há também um pedreiro que veio instalar uma antena, o Alexandre não deixou ele entrar e ele achou ruim – afirma Anna.
O casal, diz a delegada, também tentava apontar um suspeito: o porteiro do prédio.
Renata chegara à Rua Santa Leocádia, no bairro do Carandiru, pouco depois da 1 hora do domingo 30 de março. A rua estava ocupada por 11 viaturas da Polícia Militar. Os moradores e vizinhos do Edifício London, de onde a menina fora jogada, juntavam-se às dezenas na calçada. Renata entrou no prédio. A menina, que caíra em um gramado ainda com vida, já havia sido levada. O resgate chegara 15 minutos depois da queda. Acompanhada de um PM, Renata subiu ao 6o andar. Entrou no apartamento 62. O PM chamou sua atenção para duas ou três gotinhas de sangue, no chão da sala. Elas faziam um trajeto da entrada até o sofá. No corredor, em direção ao quarto mais próximo, outras gotinhas de sangue. Mais sangue estava num lençol, no quarto. Sobre a cama próxima à janela, uma marca de sola do sapato de um adulto. A tela de proteção da janela estava cortada. Nela havia uma mancha quase imperceptível de sangue.
A delegada procurou um “instrumento cortante”, que poderia ter sido usado na tela. Não achou. Quem cortou a tela teria levado o instrumento? Jogado pela janela, ele não fora. Vistoriando o apartamento, encontrou na cozinha, em cima da pia, uma tesoura de cortar frango e uma faca, grande. As peças foram apreendidas. Na tesoura, a perícia acharia um fragmento de fio igual ao da tela cortada do quarto.
Quarenta minutos depois, já de saída do prédio, a delegada conheceu o pai da menina, Alexandre Nardoni, e o pai dele, Antonio. Voltavam da Santa Casa, para onde Isabella fora levada – e chegara morta. Antes de qualquer cumprimento, Alexandre perguntou para a delegada se o ladrão já havia sido encontrado, ou suas impressões digitais. Renata conversou rapidamente com ele. Havia muita gente em volta.
Do local do crime, a delegada foi para a Santa Casa. O corpo da menina estava no necrotério. Renata analisou os ferimentos, superficialmente. Havia um corte na testa, do qual pingara o sangue no apartamento. “Isabella parecia um anjinho dormindo. Naquele momento senti o tamanho do problema que tinha em mãos”, diz Renata. No Instituto Médico-Legal (IML), os legistas tentavam desvendar um enigma: a criança morrera ao ser jogada de 20 metros de altura, mas tinha sinais de asfixia.
Os legistas encontraram sinais de esganadura (comuns quando o pescoço é apertado por mãos). A pressão sobre um nervo do pescoço (o vago) desacelera o batimento cardíaco, deixa a vítima inconsciente, pode provocar convulsão e vômito (havia vômito no pulmão de Isabella, que ela aspirou) e levar à morte. A delegada diz que não há um laudo oficial com a comprovação de que uma mão feminina, neste caso da madrasta, tenha asfixiado Isabella. No relatório do inquérito sobre o caso, Renata conclui que foi Anna quem apertou o pescoço de Isabella. Mas baseia-se em depoimentos de testemunhas.
Um morador de um prédio vizinho disse ter ouvido uma criança gritar, no apartamento do casal: “Papai, papai, papai, pára”. Pareceu, ao depoente, que a criança não mandava o pai parar, mas o chamava, como um pedido de socorro. E dizia “pára” a outra pessoa. Dois dias depois, a delegada localizou outra vizinha, que ouvira os mesmos gritos de criança chamando pelo pai. As duas testemunhas dos gritos não se conheciam. “Uma pessoa idônea, com credibilidade, pode às vezes se deixar influenciar, ou se confundir, num cenário trágico como esse”, diz Renata. “Mas, quando vi duas pessoas que não se conheciam falando a mesma versão, não tive mais dúvidas”. Concluiu que Pietro, o filho de 3 anos, chamava o pai, porque Anna estava esganando Isabella. É o que diz também nas conclusões do inquérito. Foi naquele momento que a delegada decidiu pedir a prisão temporária do casal.
Outro fato contribuiu para a decisão de Renata. Dois dos moradores do prédio afirmaram, em depoimento, ter ouvido o casal discutir no apartamento, nos minutos que antecederam a queda da menina. Disseram que Anna falava muito alto, muitos palavrões. Depois que Isabella caiu, ouviram a mesma voz, falando palavrões pelo celular, no térreo. “Se Alexandre e Anna entraram no apartamento quando Isabella já tinha caído, como explicam a discussão entre eles e os gritos da criança chamando o pai?”
MÃE E FILHA
Ana Carolina de Oliveira, com a filha que perdeu nas mãos do ex-marido. Esse não foi o primeiro caso da delegada envolvendo crianças. Mas foi o que ganhou a maior dimensão
Ana Carolina de Oliveira, com a filha que perdeu nas mãos do ex-marido. Esse não foi o primeiro caso da delegada envolvendo crianças. Mas foi o que ganhou a maior dimensão
Naqueles dias, Renata trabalhava muito além do expediente. Dormia três a quatro horas por noite. Numa dessas esticadas, estava na alça da Avenida 23 de Maio, para pegar a Avenida Paulista, quando o vidro direito de seu carro estilhaçou. Era meia-noite. Um assaltante quebrara o vidro com uma pedra e pegara um envelope, no banco. Ali estavam peças do inquérito. A delegada disputou o envelope com o bandido. Feriu a mão, mas conseguiu salvá-lo.
Sem falar com a imprensa, Renata se trancava em sua sala, com um retrato de Isabella sobre a mesa. Para chegar à delegacia, parava antes num posto de gasolina. Falava ao celular, e um carro vinha apanhá-la. Com 1,74 metro de altura, ela se escondia deitando-se no banco de trás. Entrava no prédio por uma porta lateral. “Se eu falasse passo a passo o que já sabia, prejudicaria a investigação. Nem os policiais da delegacia tinham ciência”. Ela diz que não lia sobre o caso nos jornais nem acompanhava o noticiário na TV. “Não queria me deixar influenciar”. Renata achava que ficaria tentada a explicar informações imprecisas e que isso desviaria seu tempo da investigação. Divulgou-se, por exemplo, que uma tia de Isabella, ou um dos avôs, entrou no apartamento antes da perícia e limpou o sangue. Isso seria impossível, diz Renata, porque a Polícia Militar chegou quase imediatamente depois da queda e, desde então, preservou o lugar. “Quem limpou o sangue foi o casal, antes de atirar a menina pela janela”, afirma.
As investigações prosseguiam. “Chegavam denúncias anônimas sem coerência, mas a gente ia atrás, checava, ouvia a pessoa para esgotar todas as possibilidades”. No inquérito, havia outros depoimentos que comprometiam Alexandre e Anna. O porteiro Valdomiro da Silva Veloso foi o primeiro a ver o corpo de Isabella caído sobre o gramado. Ouviu um baque, abriu a janela da guarita e deparou com aquela cena. Ligou para Antonio Lúcio Teixeira, que mora no 1º andar. Este saiu à sacada de seu apartamento e viu a menina. Chamou o 190, do Copom, o Centro de Operações da Polícia Militar. Ainda estava falando quando Alexandre surgiu no térreo, gritando sobre um ladrão no apartamento. Por isso, Antonio Lúcio pôde acrescentar na conversa com o Copom o detalhe de que havia um ladrão e dizer que a menina caíra do 6º andar (sabia o andar de Alexandre). O telefonema ficou registrado. Calcula-se que a menina tenha sido jogada por volta de 23h49m. Às 23h49m59s, Antonio Lúcio começou a falar. Momentos depois Alexandre surgiu no térreo, gritando.
Alexandre e Anna afirmavam ter descido juntos do apartamento, ao ver que Isabella tinha caído. Mas confirmou-se o seguinte: Antonio Lúcio ainda estava falando com o Procom quando Anna, do apartamento, ligou para seu pai. Treze segundos depois, nova ligação, agora para o pai de Alexandre. Quando Antonio Lúcio terminou de falar, ela continuava ao telefone, no apartamento. Alexandre já estava no térreo. Para Renata, o casal poderia estar tramando um ardil contra o porteiro Valdomiro.
Renata volta a lembrar a primeira conversa com o casal, no domingo depois do crime. Diz que Alexandre e Anna falaram muito sobre Valdomiro. Perguntavam se ele já tinha sido investigado. “O Alexandre já chegou à portaria gritando ‘tem um ladrão, tem um ladrão’ e mandando o porteiro subir ao apartamento”, diz Renata. “O Antonio Lúcio disse para ele: ‘Não saia aí da guarita’. Se tivesse subido, o que estava disposto a fazer, Valdomiro teria encontrado Anna e de alguma forma poderiam tentar vinculá-lo ao crime”.
Nessa primeira conversa, já havia uma questão em aberto: o horário. Se Alexandre deixou Isabella no apartamento, voltou para o carro, retornou com Ana e os dois filhos e viu que a menina fora jogada, deixou muito pouco tempo para um estranho agir. Alexandre alegou que ficaram alguns minutos dentro do carro, na garagem, porque havia ali outro carro, com som alto, que poderia acordar as crianças. “Eles foram aumentando esse período para dar tempo de o suposto estranho fazer alguma coisa”, diz Renata.
Mais tarde, ao depor no inquérito, o casal calculou ter gasto 19 minutos entre sua chegada à garagem e a entrada de toda a família no apartamento. O carro de Alexandre, no entanto, tinha monitoramento por satélite. E esse sistema registrou a hora exata em que o motor foi desligado: 23h36m11s. O telefonema de Antonio Lúcio para a PM, falando da queda de Isabella, foi às 23h49m59s. Portanto, entre a chegada e a queda da menina transcorreram 13 minutos e 48 segundos.
Outra questão: a chave usada pelo suposto ladrão ou vingador para entrar no apartamento. Moradoras do prédio disseram a Renata que Alexandre falara em arrombamento da porta (que estava intacta, como a perícia constataria). Na delegacia, o casal falou na cópia da chave que existiria na portaria. O apartamento é novo, foi entregue em setembro do ano passado. O casal trocou portas e fechaduras, estas pelo modelo tetra, de quatro gomos. Os técnicos que fizeram o serviço, chamados a depor, confirmaram o trabalho. Cópias das chaves só haviam ficado na portaria enquanto os apartamentos não estavam ocupados. Depois, não. No fim da investigação, Anna Jatobá deu outra versão: tinha perdido a chave. E o assassino a teria achado.
O sangue que Renata não viu, ao vistoriar o apartamento no primeiro dia, apareceu quando os peritos usaram um reagente químico, chamado bluestar. Com ele, tornaram-se visíveis uma mancha de sangue perto do sofá e o sangue numa fralda que fora lavada e estava num balde. A delegada diz que a peça foi usada para limpar o apartamento ou estancar o sangue da testa da menina, no trajeto do carro para a moradia. “O sangue no apartamento foi suficiente para provar que era de Isabella”, diz Renata. Pelo mesmo processo, foram detectadas gotas de sangue com o perfil genético da menina no carro de Alexandre. Ali foi encontrado material genético de outras pessoas da família, que poderia ser vômito ou saliva das crianças. Mas só Isabella teve sangramento. “Por isso, posso afirmar que o sangue é dela”.
No começo das investigações, Renata não esperou pelos laudos. Foi direto aos peritos. “Fiz várias reuniões com eles. Estive no IML e saí às 3 horas manhã”. Eram seis médicos, cada um explicando conclusões ligadas a sua especialidade. “As provas convergiam, uma encaixava na outra”, diz Renata. Os peritos concluíram que Alexandre entrou no apartamento com a filha no colo, sangrando, e a atirou no chão, junto do sofá. As manchas de sangue da entrada da sala até o sofá são compatíveis com essa situação.
Sobre o ferimento na testa: a menina viajava atrás do pai, que dirigia, com Anna no banco a seu lado. Renata concluiu que foi Anna quem acertou a menina na testa, erguendo o braço esquerdo. Uma hipótese é que tenha usado a chave tetra do apartamento – compatível com o ferimento. Isabella também tinha lesões na parte interna da boca e nos lábios. Sinal de que alguém comprimiu sua boca com força. Concluiu-se que Alexandre fez isso para impedir que Isabella chorasse alto ou gritasse enquanto a levava, no colo, para o apartamento.
Em 29 de abril, Renata Pontes terminou o inquérito e pediu a prisão preventiva do casal. Alexandre e Anna estão presos, à espera de julgamento. O advogado do casal, Marco Pólo Levorin, acusa a polícia de ter “criado e imaginado” os fatos e de ter sido tendenciosa. Diz deduzir, de um laudo oficial, que Isabella não foi esganada e que a asfixia deveu-se à queda. Afirma existir outro laudo, segundo o qual Alexandre não poderia, sozinho, ter jogado a menina pela janela. “Os fatos não poderiam ter ocorrido como foram demonstrados”, afirma. Para ele, a perícia oficial só comprovou a existência de sangue humano em quatro peças de roupa, o que exclui o apartamento, o carro e a fralda lavada. As peças, diz Levorin, são a calça de Isabella, uma blusa feminina, uma bermuda e uma camiseta de manga longa, encontrada no apartamento vizinho. Para ele, a camiseta “é da terceira pessoa”, o autor do crime. Levorin diz que não foram investigadas “possíveis rotas de fuga” dessa terceira pessoa. Afirma ter provas de que uma casa, que dá para os fundos do prédio, foi arrombada na noite do crime. Diz ainda que a polícia não investigou funcionários e prestadores de serviço do prédio.
Com o fim do inquérito, a foto de Isabella saiu da mesa de trabalho de Renata – e foi para seu apartamento. “A foto era para me dar motivação. Para ter forças, ficar sem dormir e seguir investigando, eu pensava na mãe que não podia mais beijar sua filha”. Pediu à mãe da menina, Ana Carolina de Oliveira, fotos para colocar no inquérito. A professora Paula Cristiane de Aquino, da Escola Isaac Newton, onde Isabella estudava, levou cerca de cem fotos. Nesse dia, Renata, que é solteira, se emocionou. Colocou no inquérito 20 fotos de Isabella. A primeira é do dia do nascimento. A última, da menina morta.
| O crime e a investigação | |
|---|---|
| Isabella, de 5 anos, foi arremessada pela janela do apartamento do pai. Ele e a madrasta da menina são acusados de homicídio | |
| 29 MAR 2008 Isabella morre depois de ser jogada pela janela do apartamento do pai, no 6º andar, de um prédio em São Paulo | |
| 3 ABR 2008 Alexandre Nardoni, pai de Isabella, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, se entregam depois que a prisão deles é decretada | |
| 11 ABR 2008 Alexandre e Anna Carolina são libertados. A Justiça considera não haver motivos para manter a prisão temporária | |
| 18 ABR 2008 Depois de prestar depoimento, Alexandre e Anna Carolina são acusados formalmente pelo assassinato | |
| 20 ABR 2008 O pai e a madrasta de Isabella dão entrevista ao programa Fantástico. Ambos negam ter matado a menina | |
![]() | 27 ABR 2008 Peritos fazem a “reprodução simulada” do crime no prédio onde Isabella foi assassinada. Os acusados não participam |
| 30 ABR 2008 A polícia entrega à Justiça o inquérito sobre o crime. Ele conclui que Anna Carolina e Alexandre mataram Isabella | |
| 6 MAIO 2008 O Ministério Público denuncia os acusados pelo homicídio. Anna Carolina teria asfixiado Isabella. Alexandre a teria atirado pela janela | |
![]() | 7 MAIO 2008 Anna Carolina e Alexandre voltam à prisão depois de o juiz Maurício Fossen acatar a denúncia do MP contra o casal |
| 16 MAIO 2008 O Superior Tribunal de Justiça (STJ) nega o pedido de liberdade provisória ao casal | |
| 26 MAIO 2008 Peritos contratados pela defesa de Alexandre e Anna Carolina alegam que os laudos produzidos pela polícia são falhos | |
| 27 MAIO 2008 A quinta turma do STJ nega, por unanimidade, novo pedido de habeas corpus para Anna Carolina e Alexandre | |
| 17 JUN 2008 Testemunhas de acusação prestam depoimento. O casal comparece à audiência com uniforme da cadeia e algemas | |
| 2 JUL 2008 Testemunhas de defesa começam a ser ouvidas no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo | |
![]() | 5 AGO 2008 O Supremo Tribunal Federal mantém a prisão do pai e da madrasta de Isabella |
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