IGREJA VAI EXCOMUNGAR MÉDICOS QUE FIZERAM ABORTO...
...MAS NÃO ESTUPRADOR!
O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista ao Jornal Hoje, que o padrasto, suspeito de violentar a menina de 9 anos, não está incluído na lista de excomungados. "Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente". Na quarta-feira, o arcebispo excomungou a mãe e a equipe médica envolvida na interrupção da gravidez da garota.
| AE |
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| Dom José Cardoso Sobrinho |
Segundo a polícia, a criança afirmou que os abusos começaram quando ela tinha seis anos de idade, e que o padrasto, de 23 anos, a ameaçava de morte caso contasse para alguém. Ele foi preso quando se preparava para fugir para a Bahia. Em seu depoimento, o padrasto teria confessado que também abusava da enteada mais velha, de 14 anos, portadora de deficiência física.
O Ministério Público, a Secretaria Estadual de Políticas para a Mulher e as ONGs Curumim e SOS Corpo acompanham o caso e irão oferecer recursos e tratamento psicológico para as vítimas.
Excomunhão
Na quarta-feira, o arcebispo excomungou os médicos envolvidos no aborto. “A lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando uma lei humana, quer dizer, uma lei promulgada pelos legisladores humanos, é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor”, disse o bispo.
De acordo com os médicos, a menina, que tem 1,33m e pesa 36kg, não apresentava estrutura física que sustentasse uma gravidez. Segundo eles, a paciente corria risco de vida caso a gestação continuasse. Além disso, a legislação brasileira permite o aborto em vítimas de estupro até a 20ª semana de gestão.
“A excomunhão do arcebispo se torna irrelevante para todas nós que ajudamos no caso. É irrelevante a posição do arcebispo. Essa é uma questão que não perpassa pela religião. Os médicos agiram conforme a lei. O Estado brasileiro tem que ser respeitado. A ação do Estado não pode ser regida pela ação religiosa”, analisou Carla Batista, da ONG SOS Corpo.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, classificou de "radical" e "inadequada" a decisão da Igreja Católica de excomungar os envolvidos no aborto. Para Temporão, o ato de excomungar os envolvidos no aborto é um contrassenso diante do que aconteceu à criança.
“Fiquei chocado com os dois fatos: com o que aconteceu com a menina e com a posição desse religioso que, equivocadamente, ao dizer que defende uma vida, coloca em risco uma outra tão importante”.
PRESIDENTE CRITICA VATICANO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista nesta sexta-feira (6) que "a medicina está mais correta que a Igreja" no caso da menina de 9 anos que ficou grávida após sofrer abuso sexual e teve a gestação interrompida.
O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, excomungou a mãe, os médicos e outros envolvidos no aborto.
"Como cristão e como católico, lamento profundamente que um bispo da Igreja Católica tenha um comportamento, eu diria, conservador como esse. Ou seja, não é possível que uma menina estuprada por um padrasto tenha esse filho até porque a menina corria risco de vida. Eu acho que, nesse aspecto, a medicina está mais correta que a Igreja. A medicina fez o que tinha que ser feito: salvar a vida de uma menina de nove anos", disse.
O presidente deu as declarações após a cerimônia de lançamento do programa Território de Paz, em Vitória. Ele afirmou que agora, a menina deverá passar por tratamento psicológico. "Agora, o trabalho psicológico que vai ter que ser feito em cima dessa menina pra recuperar a cabeça dela possivelmente leve décadas para que ela volte à normalidade."
"Vocês viram essa semana, em Recife, um padrasto violentou sexualmente uma menina de nove anos de idade. Nós sabemos que isso acontece e que isso é um processo de degradação da estrutura da sociedade. Se pai e mãe não estiverem bem, pode ficar certo que os filhos não estarão bem. Por isso, pai e mãe têm sempre que dar o exemplo de comportamento", disse.
O caso aconteceu no estado de Pernambuco, mas não na capital, Recife, e sim no município de Alagoinha. O padrasto da menina foi preso, suspeito de ter abusado da garota e ser pai dos bebês que ela esperava. De acordo com a polícia, a menina sofria violência sexual desde os 6 anos.



















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